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TONY RIBEIRO: Três grandes homens e uma politicagem que vergonhosamente separa

Prof. Iveraldo, Joãozinho e Dr. Temístocles

Há exatamente 4 anos falecia o ex-prefeito de Conde, Dr. Temístocles Ribeiro (meu pai), no dia 9 de julho de 2016.

Lembro bem daquele dia, seu corpo foi velado no ginásio municipal, para que todo o povo da cidade pudesse se despedir do único filho natural dessas terras que conseguiu ser prefeito duas vezes e médico do seu povo.

Lá estiveram TODOS os ex-prefeitos vivos e também familiares daqueles que já tinham partido. Estavam também amigos, colegas e o povo em geral daquela cidade que conviveram com aquele grande homem. TODOS se respeitavam, não havia o ódio ao outro!

Naquele dia estavam lá os outros dois personagens dessa minha narrativa, Iveraldo Lucena, ex-secretário de educação da segunda gestão de Dr. Temístocles, e Joãozinho da Lambada, amigo de infância de Nitinho (como carinhosamente era chamado o Dr. Temístocles em sua terra natal).

Até aquele ano na cidade de Conde havia um clima de respeito a todos, adversários políticos históricos, famílias tradicionais, líderes religiosos das mais diversas crenças, estavam todos lá para dar o último adeus ao amigo.


Em determinado momento vi entrar no ginásio o Prof. Iveraldo, homem pelo qual o Dr. Temístocles sempre nutriu profundo respeito, ao seu lado, colada em seu braço direito estava uma de suas filhas, a até então desconhecida Márcia Lucena, como se à tiracolo tentasse se aproveitar da oportunidade daquele momento para se mostrar ao povo da cidade que ali estava, afinal era vésperas de eleição.

Enquanto conversava com a ex-prefeita Arleide Azevedo, o Prof. Iveraldo se aproximou de mim, apertou minha mão e me disse: “O Conde hoje perdeu o seu maior filho, e o povo o seu maior pai, isso é motivo de orgulho, orgulhe-se!”. Márcia ao seu lado olhou para mim com um sorriso 'amarelo' e, após ser apresentada, disse: “meus pêsames!”.

Naquele dia também esteve lá Joãozinho da Lambada, com seus irmãos e filhos, representando a grande família de Jacumã, cumprimentou-me com água nos olhos, todos estavam, Nitinho não estava mais entre nós em corpo. Eu agradeci a presença de todos, e reafirmei nosso destino de continuar ajudando dentro do que fosse possível os irmãos de Jacumã e do Conde.

Anteontem faleceu o Prof. Iveraldo, ontem faleceu Joãozinho da Lambada, e hoje, ao lembrar da partida do meu pai, uma tempestade de lembranças veio à minha mente.


Quando Dr. Temístocles resolveu convidar o Prof. Iveraldo para ser secretário de educação do Conde, o fez por achar que um homem que tinha ocupado tantos cargos importantes no estado, e no país, não podia morar na cidade e nunca ter contribuído com absolutamente nada até aquele momento (falamos do ano de 2001). 

Ao pesquisar sobre sua história, meu pai descobriu que ele havia enfrentados problemas com processos ligados à merenda escolar, e tinha sido praticamente escorraçado da política no caso que ficou conhecido como “As Flautas de Ouro”. Estava isolado da vida pública em sua granja no Conde.

Mas em uma conversa com ele, Dr. Temístocles se encantou e, acima de tudo, acreditou que ele pudesse fazer uma grande mudança na educação da cidade. O encanto foi tamanho que ele foi nomeado secretário da educação, e sua esposa D. Iracema nomeada secretária de Cultura da cidade. Uma aposta que deu resultados e colheu excelentes frutos para a cidade, infelizmente não continuada tempos depois, e para Iveraldo Lucena, que pode recuperar sua imagem no cenário estadual, tão abalada pelo caso das “Flautas de Ouro”.

Lembro de Joãozinho da Lambada, da época em que o Bar da Lambada era aberto, era o pavilhão onde íamos aos domingos, meu pai gostava de conversar com os amigos de jacumã que se reuniam numa grande mesa na beira da praia.


O bar de Joãozinho era o local onde aconteciam os leilões das festas de Reis de Jacumã, foi lá onde todos os pescadores da região receberam seus barcos de pescas equipados para poderem trabalhar, era local de reuniões e encontros.

Até hoje ninguém contribuiu mais para o turismo e a cultura do Conde quanto Joãozinho da Lambada.

Sua casa foi o único atrativo da cidade durante muitos e muitos anos, quem nos anos 80, 90 e 2000 não ia para jacumã aos sábados à noite, apenas para ir para Lambada? Quantos jovens se conheceram ali, quantas alegrias ali vividas, quão importante foi aquele lugar para manter Jacumã viva!

A POLITICAGEM QUE SEPARA

Feito esse relato dos grandes homens, vamos para segunda parte desta narrativa, a parte podre e ruim da politicagem instalada no Conde nos últimos anos.

Em 2016, Márcia Lucena foi eleita prefeita do Conde, carregava com ela o filho do Dr. Temístocles, o Dr. Tel Ribeiro. Enquanto foi conveniente para Márcia, o Dr. Temístocles foi exaltado como o melhor prefeito da história do município, porém, Dr. Tel rompeu com Márcia por diversos motivos, alguns dos quais o GAECO apontou na Operação Calvário.

A partir deste momento, Márcia não poupou esforços para falar mal e tentar atingir a imagem do Dr. Temístocles, pessoa que ela nem mesmo conheceu, pois enquanto seu pai e sua mãe foram secretários no Conde ela nunca pôs os pés na cidade, apesar de criar uma falsa narrativa de que sempre viveu na cidade.

O discurso politiqueiro de conveniência ficava cada vez mais escancarado.


Em 2017 a gestão de Márcia Lucena demoliu o Bar da Lambada de Seu Joãozinho aos risos, alguns vereadores tentaram transformar o prédio em patrimônio histórico, mas a base de sustentação da gestão barrou o projeto, a Lambada foi demolida.

A demolição deu lugar a tão sonhada, e planejada por todas as gestões anteriores, Pracinha de Jacumã, local onde os turistas iam à noite para esperar o bar da Lambada abrir.

O governo do estado reformou a pracinha de Jacumã, expandiu a área e criou um grande vão vazio, chamado de Praça do Mar. Seu Joãozinho foi jogado ao relento, de início uma promessa de um outro local, depois o esquecimento da tradição e da cultura verdadeira de Jacumã.

Hoje a gestão de Márcia Lucena tenta reinventar a Cultura local, através de um tal de "inventário cultural', produzido por pessoas que não são da terra, que não conhecem a terra, forasteiros que tentam reescrever a história de acordo com os gostos e preferência pessoais da gestora de plantão.

Esse tal inventário nunca citou o Bar da Lambada de Jacumã, só é citado aquilo que a conveniência política permite.


Na terça-feira, dia 07/07, faleceu Iveraldo Lucena, rapidamente a prefeita decretou Luto Oficial na cidade. Mas qual foi o legado de Iveraldo Lucena para o Conde, se a própria prefeita brada aos quatros cantos que “ninguém nunca fez nada na cidade”? Admitir que o pai prestou bem serviços para a cidade quando secretário de uma gestão anterior é demais pra alguém feito Márcia Lucena, ela não pode elogiar gestores do passado, nem que pra isso seja preciso reconhecer o trabalho da gestão que participaram o pai e mãe.

Iveraldo recebe as homenagens por ter sido secretário, ou apenas por ser pai da prefeita de plantão, num ato de politicagem para se auto-exaltar e aumentar o discurso vitimista?

Se Iveraldo prestou tantos serviços ao Conde como secretário, imaginem a Dra. Soledade, que foi Secretária de Educação na primeira gestão de Temístocles e na gestão de Arleide, 8 anos servindo ao município, e que faleceu o ano passado sem a prefeitura emitir uma única nota de pesar. Quero acreditar que a omissão não foi por politicagem, mas pelo fato da gestão ser formada por pessoas que não conhece, a história verdadeira da cidade.

Ontem, dia 08/07, faleceu Joãozinho da Lambada, um dos homens que mais fizeram pelo turismo e pela cultura popular de Jacumã, a gestão de Márcia Lucena não emitiu nem ao menos uma única nota de pesar, simplesmente para Márcia Lucena e sua gestão é como se Joãozinho e seu Bar da Lambada nunca tivessem existido.

É lamentável!


Hoje, 09/07, completa 4 anos da partida de Dr. Temístocles, e meu relato mostra que o Conde de 4 anos atrás, em que todos se respeitavam, todos se uniam para praticar o bem, que as adversidades políticas jamais foram transformadas em ódio, em que a difamação e os ataques por conveniências políticas não eram o tom da cidade, aquela cidade não existe mais.

A gestão de Márcia Lucena separou, desuniu, isolou os filhos do Conde, criou uma política baseada no ódio, no xingamento de quem não a bajula, deu lugar a uma gente estranha e arrogante que se acham donos da cidade que tanto já se orgulhou de seus filhos, de suas tradições e de sua cultura.

Hoje, aos olhos da gestora e de toda gente que ela empurrou na cidade, só tem valor quem comunga de seus hábitos e faz parte de sua patota, mesmo que seja por vantagens financeiras, como empregos na prefeitura, por exemplo. Se está do lado dela é lindo”, é um “querido”.

É vergonhoso ver que a politicagem não permite a gestão Márcia Lucena olhar sem ódio para o povo da cidade, não a permite falar bem de pessoas que fizeram bem a esta cidade, de parar de falar mal para quem já contribuiu com o município, de homenagear quem de fato merece ser homenageado.

Essa forma de dividir a cidade entre os que estão ao seu lado e os que não estão é característica de regimes não democráticos, autoritários, que confundem o que é público com o que é pessoal, no qual só tem valor aquilo que interessa e é conveniente ao governante de plantão, o resto deve ser esquecido, apagado, minimizado, combatido e tratado com desprezo por estranhos arrogantes, por pessoas que há 4 anos não sabiam nem pra que lado ficava o Conde.


Infelizmente a cidade de Conde experimentou nesses anos um sistema que tanta apagar sua história para tentar entrar na história de acordo com os gostos pessoais da gestora de plantão.

A gestão não pode viver 24 horas por dia de politicagem para tentar se firmar na história, seu lugar já está reservado por atos a atitudes vergonhosas.

Tratar bem e valorizar o povo do Conde, sem interesse politiqueiro, foi algo que Márcia Lucena definitivamente, não fez nesses 4 anos.

Quero aqui abrir grandes parênteses para o atual presidente da câmara, Carlos Manga Rosa, que decretou luto oficial na cidade pelo falecimento de Joãozinho da Lambada, assim como fez pelo falecimento do Prof. Iveraldo na terça-feira. Em 2016, mesmo não sendo aliado político do Dr. Temístocles, Manga Rosa propôs, na primeira sessão possível que a Arena de Futebol de Jacumã recebesse o nome de Arena Dr. Temístocles Ribeiro. Um pequeno ato, mas uma grande demonstração que política pode ser feita com respeito ao seu povo, independente de desejos pessoais e interesses dos políticos de quem tem temporariamente a caneta nas mãos.

As pessoas merecem ser respeitadas sempre!



2 comentários:

  1. E eu acho que a praça deveria homenagear Sr Joãozinho. Praça Joãozinho da Lambaba, para que sua memória permanecesse aqui.

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  2. Nos ultimos 4 anos a cidade recebeu as melhorias que não recebeu nos últimos 16 anos anteriores!
    Isto é fato!

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